Vacinas
As vacinas utilizadas para o tratamento de cancro são utilizadas como auxiliares ao sistema imune do organismo, ajudando a identificar e destruir células tumorais. Ao apresentar um antigénio específico presente em células tumorais e ausente nas saudáveis, as vacinas permitem o “treinamento” das células imunes do organismo, como as células T, de modo a que adquiram a capacidade de reconhecer e atacar os as células tumorais com maior eficiência (Barot, 2023). Existem três tipos de vacinas: estimulantes do sistema imunitário, á base de vírus oncolíticos e á base de mRNA.
Vacinas estimulantes do sistema imunitário
O desenvolvimento deste tipo de vacinas, inicia-se com o isolamento das células apresentadoras de antigénios (APCs) do doente, para que sejam expostas a uma proteína da célula tumoral alvo, como a PA2024, uma fosfatase do ácido prostático encontrada nas células tumorais da próstata. As APCs internalizam a proteína-alvo e processam-na em fragmentos menores para que estes sejam apresentados após conjugação com o MHC (major histocompatibility complex), formando complexos antigénio-MHC. Em seguida, as APCs ativadas são injetadas de volta ao organismo do doente, o que resulta na ativação das células T, em específico as células T citotóxicas (CTLs), que atacam as células que expressam a proteína-alvo, resultando assim na morte das células tumorais (Barot, 2023).

(Kok Siong e Chen e Khalid Shah/Divulgação)
Vacinas á base de vírus oncolíticos
A utilização de vírus como agentes experimentais para a indução de morte celular ou disfunção já é aplicada á prática clínica há alguns anos. Em 1990, investigadores chegaram à seguinte hipótese: Será que os vírus podem ser utilizados para matar especificamente células tumorais? Posteriormente, foram identificados os vírus oncolíticos, agentes antitumorais que se replicam seletivamente nas células tumorais, induzem a lise e, consequentemente, a resposta imune (Ma, 2022).
Existem dois grupos principais de vírus oncolíticos: vírus naturalmente existentes e vírus geneticamente modificados. Alguns vírus naturalmente existentes, como o vírus do sarampo, o da doença de Newcastle e o reovírus, têm sido utilizados em estudos e em ensaios clínicos nas suas formas nativas.
Para desenvolver vírus geneticamente modificados, é necessário recorrer á remoção de alguns fatores de virulência, de modo a atenuar o vírus, e/ou recorrer á inserção de transgenes no genoma viral, de modo a promover a imunidade anti-tumoral (Ma, 2022).
A 27 de outubro de 2015, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA aprovou a primeira terapia á base de um vírus oncolítico, o talimogene laherparepvec (T-VEC ou Imlygic®), direcionado ao tratamento de alguns doentes com melanoma metastático que não pode ser removido cirurgicamente.
(Cancer Research Institute)
Os vírus são pequenas partículas capazes de se replicar nas células e causar inflamação no hospedeiro. Existem vírus de DNA e vírus de RNA. Geralmente, os vírus de DNA apresentam um genoma de maior dimensão, que pode ser editado para codificar transgenes de modo a incrementar a atividade terapêutica e a modular a atividade imunitária, sem prejudicar a replicação viral.
Os vírus de RNA contém um genoma mais reduzido, no entanto são capazes de atrevessar a barreira hematoencefálica para atuar em células tumorais do sistema nervoso central. Porém, o genoma dos vírus de RNA é muito mais limitado quanto à habilidade de codificar transgenes longos. Os transgenes codificados pelo genoma do vírus de RNA, apresentam maior instabilidade genética, com taxas de mutação muito superiores á dos vírus de DNA (Ma, 2022).

Relativamente ao mecanismo de ação, os vírus oncolíticos podem atuar diretamente na lise celular, mecanismo que elimina a maior parte das células tumorais; ou de forma indireta, ao induzir uma imunidade anti-tumoral sistémica. As células tumorais infetadas com oncovírus podem secretar antigénios tumorais e ativar as respostas inflamatórias, contrariando assim a imunossupressão tumoral induzida bem como a evasão (Ma, 2022).
Após a lise de uma célula tumoral, as réplicas do oncovírus amplificam a lise tumoral local, atuando em outras células tumorais próximas. Além disso, ocorre a ativação de uma resposta imune inata e/ou adaptativa anti-tumoral, devido à libertação de DAMPs (Danger Associated Molecular Patterns) e TAAs (Tumor Associated Antigens) da célula lisada.

(The emerging field of oncolytic virus-based cancer immunotherapy, Ma, R. et.al 2022)
Outras Tecnologias
